Sexta, 23 Março 2018 19:10

Como a Inteligência Artificial pode impactar as licitações?

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Conheça exemplos de ferramentas inovadoras e inteligentes na área de licitações e contratos


O uso de tecnologias virtuais, como os softwares inovadores e a Inteligência Artificial já é realidade no setor privado. Diversas aplicações aliam inovação e produtividade para simplificar processos e oferecer soluções a problemas. A sua utilização abrange todas as áreas. São exemplos já consolidados no dia a dia os assistentes pessoais presentes em vários modelos de smartphones, os chatbots que interagem com o cliente e a curadoria de dados em massa.

Mas como aproveitar toda esta tecnologia na área de licitações e contratos?

Primeiramente, é preciso explicar o que é a Inteligência Artificial (IA) e como ela se diferencia das demais tecnologias. De acordo com o coordenador de Inovação e Governança de TI do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), José Maria Leocádio, o conjunto de ferramentas que chamamos de tecnologia de IA são os que pensam como seres humanos e aprendem.

“Para o Serpro, a IA é uma tecnologia que emula a performance do ser humano no que se concerne à aprendizagem e tira suas próprias conclusões”, diz Leocárdio.

Logo, um software pode ser projetado ou não com a Inteligência Artificial. Apesar de o termo ter se tornado tendência recentemente, o campo de pesquisa foi fundado em meados da década de 50, avançando com o aprimoramento dos algoritmos e da capacidade de processamento das máquinas.

As áreas de atuação das ferramentas de IA não são limitadas. De acordo com o coordenador da Serpro, o núcleo de IA da empresa trabalha em cima de 5 pilares:

Processamento de imagens: análise de imagem;

Linguagem de Processamento Natural: capacidade da máquina em compreender a linguagem humana;

Processamento da Fala: transformação da fala em texto, por exemplo. Utilizado por advogados em audiências públicas;

Visão computacional: processar dados e informações contidas em imagens;

Aprendizagem de máquina: habilidade dos computadores de aprender sem explicitamente seguirem scripts.

LICITAÇÕES: A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA PRÁTICA

Na prática, as ferramentas que utilizam IA podem ser aplicadas também nos processos da licitação. A equipe de licitação da Força Aérea dos Estados Unidos, por exemplo, está testando um software que identifica a melhor forma de estruturar um contrato de compra pública. O objetivo do projeto é facilitar as aquisições, evitar ilegalidades, aprimorar o trabalho dos colaboradores e gerar economia à Administração¹.

O SOLLICITA já divulgou sobre o ALICE, robô de Inteligência Artificial do Tribunal de Contas da União que detecta erros em editais e atas de pregão (leia aqui). No Brasil, outra novidade possível pode vir da parceria anunciada pelo Ministério Público Estadual de Mato Grosso com a empresa Microsoft³. O objetivo é criar uma ferramenta de IA que analise Termos de Referência e encontre indícios de fraudes.

Existem também as ferramentas adaptáveis à realidade das licitações. O software inglêsComplyAdvantage² é um sistema automatizado que agiliza a implantação de estratégias deCompliance. O mecanismo verifica se potenciais clientes foram sancionados por entidades nacionais e internacionais. A utilização mais comum é pelas instituições financeiras, mas pode ser ampliada a outras situações, como na verificação mais aprofundada de empresas e empresários que podem oferecer riscos à Administração caso sejam classificados em licitações.

Leocárdio, da Serpro, cita ainda outras possibilidades de uso na área, como na identificação de compras conjuntas entre os órgãos e entidades públicas, na utilização de chatbots inteligentes na fase de lances do pregão eletrônico, no processamento e transcrição da fala em licitações com presença pública e no auxílio à própria elaboração de propostas pelo licitante.

Dificuldades e desafios

A implantação de ferramentas de Inteligência Artificial que podem auxiliar a Administração Pública esbarra em um grande entrave: o acesso aos dados. “São vários governos: Prefeituras, Estados, Governo Federal, Municípios e ainda as empresas que realizam licitações. Cada um desses entes pode ter o dado em formato diferente. Muita coisa em papel pode existir em algum órgão e muita coisa digitalizada pode existir em outro órgão. A convivência desses números exige que se tenha ferramentas que conversem com todos”, explica.

É preciso citar ainda o outro lado deste tipo de tecnologia. Um dos casos enfrentados pelo Ministério do Planejamento são os robôs que, utilizando IA ou não, realizam lances automáticos no pregão. Uma das medidas preventivas deste tipo de software veio a partir da publicação da Instrução Normativa n° 03, de 04 de outubro de 2013, que dispôs, entre outros assuntos, sobre o tempo mínimo a ser considerado entre os lances (art. 2°). A Serpro afirma monitorar os processos no ComprasNet conforme disposto na IN.

Outra preocupação é em relação à segurança dos dados, principalmente quando se trata de informações governamentais. “O importante em relação a IA é que se tenha o domínio da segurança da informação. Quando a Serpro desenvolve soluções utilizando IA, procuramos colocar uma camada de segurança que garante que os dados do governo estão seguros e confiáveis, não gerando informações que não devem ser geradas ou gerando desinformação”, conclui o coordenador.


Por: Franceslly Catozzo / Sollicita

Fonte: https://www.sollicita.com.br/

¹ Fonte: Governo dos Estados Unidos (Our Public Service)

² Fonte: Jornal O Livre

³ Fonte: ComplyAdvantage

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